segunda-feira, junho 25, 2007

Da vida velha, faz-se a nova.


Mas da vida nova, dificilmente se terá a velha de volta. "Bons tempos que lá vão... Naquele tempo é que era bom."

Tempos de mudança. Para tudo. Basta ir na rua, basta ver ou ler notícias. Basta estar neste mundo, mesmo que por mais distante, tudo muda a uma velocidade estonteante. O mundo, as pessoas, as coisas. Decisões de hoje que nos batem vigorosamente amanhã. Civilizações à força, pressões políticas ou temporais, mudam, pesam-nos, fazem-nos retrair, pensar, agir sem reflectir ou sem saber que mais fazer para que o amanhã não seja demasiado mau.

Economias desmesuradas, rotas, desreguladas, que nos assolam, nos deixam tristes a nível populacional. Rir por momentos das vitórias, saborear sem saber para onde desperdiçar tanta derrota amarga e lenta, que nos faz adoentar de dia para dia. Não há sorriso que se receite que mate esse bicho inconveniente.

Verdades consumadas das quais nunca saberemos as mentiras podres que as sustentam. Dias passados que eram assim, mas agora serão algo diferente, incerto, distante e aterrador, que chegam sem dar sinal. Promessas que só noutro mundo podem ser realidade, areia que foge ao mar, mas dá à costa nos nossos olhos.

Confrontos de gerações a cada família que conhecemos. Guerras silenciosas, incompreendidas. A geração que quebra a tradição, a geração que quer fugir sufocadamente às tradições enterradas da família, que só respiram quando se querem passar de geração em geração. Enterra-se dinheiro em berloques e rendinhas. Perdoem-me avós, mas a vida de hoje acelera vertiginosamente para a vida do futuro, cada vez mais longe da vida do vosso antigamente cor-de-rosa. As nossas tradições passam a ser mais recordações, memórias que vos tenho ouvido, que contarei também aos meus netos, se os tiver, se não estiver demasiado calor para os poder educar neste mundo... Lições que hoje nos enfiam à força para a cabeça saturada, querem-me tornar citadina, viver esta cidadania desmesurada, aberrante, ilógica, sem explicação. Apenas aprendê-la à lei da bala. Não a sofri na pele, vai ser difícil sofrê-la por obrigação. Mas se eu não sofrer, qual Jesus Cristo na terra, irei dar aos meus filhos uma pele à partida queimada, fraca, sensível, altamente permeável às redundâncias do Mundo.

Viver o imaterial, viver o mundo, respirá-lo, tão desejável quanto ele é hoje. Saudável? Está nesta nossa nova vida, sem manual, com muitas regras aprovadas pelo governo, atabalhoadas, o saber trémulo de o manter pelo menos tão bom quanto é hoje. Saber ser feliz com pouco, mas com o melhor que nos possa dar a vida.

1 comentário:

Cai de Costas disse...

Walk the walk.